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Mudança para a Argentina, parte 4 - O passo-a-passo da mudança

25/11/2010 18:24

Esse artigo foi escrito pelo maridão no blog dele e está sendo replicado aqui para as noivinhas e amigos.

Esse é o quarto artigo sobre nossa mudança para a Argentina, que está sendo contada em 5 artigos, um por dia da semana, até a sexta-feira. Os artigos são:

Tive a ideia de mudar para a Argentina no ano passado, no segundo semestre, poucos meses depois de uma visita a Buenos Aires. Fiquei matutando sobre isso por algum tempo, apresentei para a Pati e ela achou meio "maluco" à princípio, mas concordou.

Nós tínhamos uma viagem de férias programada para alguns meses depois, na qual ficaríamos dois meses nos EUA. Essa viagem ocorreu durante fevereiro e março deste ano (2010). Combinamos que não iríamos tomar nenhuma decisão sobre a Argentina até voltar das férias.

Prova de conceito

A viagem para os EUA não só serviria como férias, mas também como prova de conceito. Precisávamos provar que era possível trabalhar remotamente com as demais pessoas da nossa equipe, isto é, com a Karol e o Leandro.

A preparação para essa viagem foi bem exaustiva. Muita coisa precisou ser feita para garantir que tudo daria certo. Desde a organização das contas a pagar, já que as mesmas deveríam continuar a ser pagas pontualmente nos dois meses em que estivéssemos fora, até sistemas de backup para a internet, adoção de softwares que nos ajudassem a trabalhar com arquivos remotos e mais um monte de coisas.

Felizmente, deu tudo certo. A Pati continuou a cuidar dos trabalhos dela durante a viagem. Isto é, continuou a tratar fotos, revisar álbuns, se comunicar com noivos e noivas etc. Tudo sem nenhum atropelo. Eu idem, continuei atento ao Be on the Net e prestando assistência ao Leandro sempre que necessário.

Depois de fazer isso por dois meses, o que era uma hipótese transformou-se em certeza. Sim, era possível trabalhar remotamente, sem problemas.

Desapego

Os dois meses nos EUA também nos fizeram perceber algo que não esperávamos. Nós tínhamos cada um o seu próprio notebook, iPhone, acesso à internet, algumas roupas e, em várias cidades, um carro alugado (GPS no iPhone com software iGo). Isso se mostrou suficiente para tocar a vida, trabalhar e conduzir um dia-a-dia para lá de normal. Não sentíamos falta de nada do que tínhamos a mais no Brasil. "Só" sentimos saudade das pessoas.

Descobrimos que dá para viver e trabalhar com muito pouco. Naquele momento, isso foi só uma constatação. Mas, depois, influenciaria de forma decisiva a nossa estratégia de mudança.

Visita à Argentina com Karol e Leandro

Com base na experiência que tivemos nos EUA e já com a certeza de que conseguiríamos trabalhar remotamente, voltamos ao Brasil decididos a fazer a mudança para a Argentina em 2011. Mas, como apreciamos muito o trabalho da Karol e do Leandro, decidimos averiguar se eles não teríam interesse de ir para a Argentina também.

Nós discutimos o assunto com os dois e os convidamos para passar uma semana conosco na Argentina, no meio do ano (de 2010). A Karol até já tinha estado lá. Mas, o Leandro e a esposa não. A viagem serviria para todos nós conhecermos um pouco mais Buenos Aires, procurar apartamentos, ter uma melhor noção de que bairros seriam interessantes de morar, pesquisar preços dos serviços básicos etc.

Decisão final? Karol vai para a Argentina também, enquanto Leandro e esposa ficam no Brasil. E eu voltaria à Buenos Aires em agosto ou setembro para tentar alugar um apartamento.

Transportar a mudança

De volta ao Brasil, comecei a pesquisar os custos para levar todas as nossas coisas de Niterói para Buenos Aires. Pelo que pude constatar, a melhor opção era a marítima, usando container. Depois de algumas pesquisas em diversas empresas, cheguei a um custo médio de seis mil dólares para levar tudo, em um processo que levaria uns dois meses. Portanto, bastante grana e um belo tempo.

Começamos a pensar melhor sobre o assunto e avaliar outras opções. Por fim, decidimos vender tudo o que temos e deixar para comprar em Buenos Aires apenas o que se revelasse necessário.

Essa decisão foi justamente um fruto da percepção que tivemos, viajando pelos EUA, de que não precisávamos de muito para tocar a vida. Portanto, levar tudo o que temos nesse apartamento enorme, de quatro quartos, para um apartamento menor em Buenos Aires provavelmente não faria muito sentido.

A escolha do novo apartamento

Da mesma forma que percebemos que não era preciso levar tudo, também nos demos conta de que não era necessário eu voltar em Buenos Aires em agosto ou setembro para tentar fechar o aluguel de um apartamento. Provavelmente seria melhor mudar para lá primeiro, sem nada além dos notebooks e algumas roupas e aí sim começar a proucurar para valer, já estando lá por um tempo mais longo.

Isso faz sentido porque procurar imóvel é sempre chato, tende a ser demorado e demanda muito envolvimento e um sem número de visitas. Se é assim, melhor fazer isso já estando lá, com dedicação ao assunto. E, enquanto não tivermos uma casa definitiva, podemos ir morando em um hotel ou apartamento temporário, que é algo relativamente fácil de encontrar por lá.

A passagem

Com todas essas decisões tomadas, restava agora definir o momento da partida. O que eu acho legal sobre uma festa de casamento, olhando-a como um projeto, é que ela tem sempre uma data muito bem definida. E, aconteça o que acontecer, ela irá realizar-se naquela data. Então, tudo é feito em torno dessa data e, no fim, as coisas acabam funcionando, por bem ou por mal. Isso é uma diferença e tanta para projetos de software, onde as datas de entrega são tão incertas, quanto os números da loteria.

Para ter certeza de que nossa mudança aconteceria, meu primeiro passo foi acertar uma data e comprar as passagens. A data é 29 de dezembro de 2010. Nesse dia, aconteça o que acontecer, nós iremos embora do Brasil. E tudo terá que ser feito até lá para que isso seja viabilizado, pois o dia da passagem define claramente o fim do projeto e, naturalmente, o início de um novo projeto de vida.

Burocracia

Nos últimos meses fomos resolvendo algumas pequenas questões burocráticas a cada semana. Questões como documentações que precisavam ser atualizados, contas em banco que precisavam ser abertas ou ajustadas de alguma forma e outros pequenos detalhes. Tudo isso vem sendo resolvido, um a um, para que esteja tudo em ordem no dia da mudança.

Uma questão interessante foi em relação ao banco. Um requisito fundamental para nós é poder usar o cartão do banco para sacar dinheiro diretamente da conta corrente de qualquer lugar do mundo. Não se trata de sacar dinheiro do cartão de crédito, mas sim da conta corrente mesmo. Exatamente como a gente faz aqui no Brasil, sem pagar juros, porque está sacando da conta e não do cartão de crédito.

Tenho conta no Banco do Brasil e uso essa possibilidade de sacar dinheiro da conta, estando no exterior, há mais de 12 anos. Mas, a Pati tem conta no Real. Então, fomos ao Real para solicitar um cartão que permitisse esse tipo de operação. Pois bem, descobrimos que ele simplesmente não existe! Ou seja, o Real não possibilita que um cliente saque dinheiro diretamente da conta quando está no exterior.

Nem preciso dizer que isso é impensável no nosso caso. Portanto, uma das tarefas administrativas que tivemos que fazer recentemente foi justamente migrar a conta da Pati do Banco Real para o Banco do Brasil para não ter mais esse problema.

Vender tudo

Nesse projeto de mudança, um tópico passou a ser o mais "complexo" de todos: vender tudo minimizando o nosso prejuízo. Nem eu nem a Pati jamais tínhamos feito algo assim. Nenhum de nós dois sequer usou algo como o Mercado Livre nem uma única vez na vida. E agora?

O problema é ainda mais sério porque estamos nesse apartamento há apenas dois anos e pouco. Antes de vir para cá, estávamos nós quatro (eu, Pati, Karol e Leandro) e mais outras duas pessoas que trabalhavam conosco (total de seis) espremidos em um pequeno apartamento de dois quartos. Era uma verdadeira loucura.

Em certo momento, quando não dava mais, tomamos a decisão de mudar para um lugar maior, onde todos pudessem se acomodar e trabalhar com tranquilidade. Cá estamos até hoje.

Essa mudança foi excelente e nos ajudou em várias conquistas importantes. Da minha parte ajudou-me a construir o Be on the Net com tranquilidade e possibilitou consolidá-lo como um produto sólido, estável e bem administrado. Da parte da Pati, ajudou-a a receber os clientes de maneira mais confortável, bem como permitiu que suas meninas trabalhássem com tranquilidade e com a maior qualidade possível.

Nós fizemos um investimento substancial nesse espaço todo. Criamos escritórios bem funcionais, com excelentes equipamentos, assim como uma sala linda, finamente mobiliada e para lá de agradável, onde a Pati poderia receber suas noivas.

Foi um investimento alto. Mas, valeu a pena. O problema é que agora ele precisa ser desfeito e não dá para simplesmente jogar as coisas fora e desprezar o fato de que foram beeemmm caras.

Criar uma solução para esse problema consumiu alguns meses e culminou na lojinha, cuja história será o tema da última parte dessa série de posts.

Próximos passos

Publicado por Patricia Figueira


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