Esse artigo foi escrito pelo maridão no blog dele e está sendo replicado aqui para as noivinhas e amigos.
Hoje começo a contar a história da nossa mudança para a Argentina, que será divídida em 5 artigos, um por dia da semana, de hoje até a sexta-feira. Os artigos são:
- Parte 1 - Por que não?
- Parte 2 - Por que sair do Brasil?
- Parte 3 - Por que escolhemos a Argentina?
- Parte 4 - O passo-a-passo da mudança?
- Parte 5 - A breve história da lojinha.
A pergunta que mais nos fazem é: por que vocês estão partindo? Não há um único motivo, mas sim um conjunto deles. Em todo caso, vale a pena começar respondendo outra pergunta mais básica: por que não?
Por que não?
Porque a vida já está toda estabelecida aqui. Parece meio louco mudar de país, quando já temos trabalho, casa, família, amigos, clientes e, para ser sincero, um tremendo conforto e bem estar.
Há anos que vivemos uma vida que quase todos consideram perto do ideal. Tanto eu quanto a Pati temos nossos próprios negócios. Ambos são bem sucedidos, sólidos e lucrativos. Contamos com clientes maravilhosos, com os quais temos um ótimo relacionamento.
Por termos nossos próprios negócios, não temos "chefes". Ao menos não do tipo tradicional. Temos sim, inúmeros "chefes" na forma de clientes. Mas, não temos aquele chefe tradicional que as pessoas tanto temem.
Nossos negócios são operados de casa. Portanto, não temos nem que sair daqui para trabalhar. Não sabemos mais o que é enfrentar o trânsito caótico de Niterói e do Rio de Janeiro no dia-a-dia.
Nós amamos nossos respectivos trabalhos. Usando uma métrica que me foi apresentada por um amigo, mesmo que ganhássemos na loteria, continuaríamos trabalhando e fazendo o que fazemos. Porque é o que mais nos dá satisfação.
Nós vivemos em um apartamento lindo, enorme, em um bairro que não só é agradável, como também é prático. Podemos fazer qualquer coisa andando no máximo quinze minutos. Tem absolutamente de tudo aqui.
Nós temos uma cozinheira que é uma dádiva. Cuida de tudo, faz as compras, decide o que vai ser servido diariamente, faz a comida maravilhosamente bem, arruma tudo, enfim, é uma mãezona que deixa nossa vida muito bem encaminhada.
Nós temos duas pessoas fantásticas que trabalham aqui em casa conosco. A Karol, que ajuda a Pati. E o Leandro, que me ajuda. Não só adoramos o trabalho deles, como também curtimos muito a companhia deles.
Nós temos uma rede de amigos sensacional, que representa, na verdade, a parte mais difícil de deixar o Brasil.
Essa vida maravilhosa que levamos hoje foi conquistada durante anos, com muito trabalho e dedicação. Nada do que temos nos foi presenteado. Nós sabemos quanto custou para alcançar cada etapa desse caminho. Portanto, temos profunda consciência do que estamos "abrindo mão de ter".
Tudo isso junto dá um tremendo frio na barriga!
Medo
O medo da mudança é uma das características mais presentes na mairia das pessoas. A ideia é que, seja lá o que temos, pode ser que percamos ao fazer uma mudança.
Por menos interessante e mais atormentada que seja a vida de alguém, a ideia de mudar de país tipicamente é aterrorizante. É um passo difícil de dar. No nosso caso, considerando-se tudo o que conquistamos até aqui, tende a ser ainda mais complicado. O que me faz compreender perfeitamente a incredulidade de muitos amigos e a genuína apreensão de tantos outros.
Qual a pior coisa que poderia nos acontecer?
Para lidar com o medo dessa mudança, nos fizemos a seguinte pergunta: se tudo der errado, qual a pior coisa que pode acontecer?
A resposta básica poderia ser algo do tipo: perder tudo. Portanto, ficar totalmente sem grana, sem moradia, sem trabalho, sem amigos, sem parentes, sem ajuda de qualquer tipo em um país estrangeiro.
Qual a chance de isso acontecer?
Nós temos vários mecanismos de proteção, que envolvem desde o nosso bom relacionamento com clientes, até uma boa reserva financeira. Estamos indo para um país em crise, mas ainda assim, para uma cidade grande, com uma economia bastante ativa e temos muita capacidade de realização. Em princípio, nos parece baixa a chance de passarmos pelo pior.
Sim, mas e se o pior acontecer? Onde está a "segurança de vocês"?
Eu não acredito em segurança absoluta. Tampouco acho que segurança seja apenas uma questão de ter dinheiro e bens acumulados. Sobretudo não consigo relacionar segurança com ter um emprego "com estabilidade", por exemplo.
Acho que a nossa "segurança" está em nossa capacidade de realização. Nós conseguimos construir um monte de coisas legais, mas quando começamos, tínhamos menos conhecimento, menos relacionamentos, menos noção de mercado do que temos atualmente. Hoje, se tivéssemos que começar de novo, provavelmente conquistaríamos tudo o que já temos novamente em menos tempo.
Então, acho que é isso. Se conseguimos contruir uma vez, podemos construir de novo e melhor se for necessário.
Próximos passos
Leia a segunda parte: Por que sair do Brasil?
Você já conhece nossa lojinha? Estamos vendendo tudo o que temos! Conheça a lojinha e veja se há algo para você!


Comentários
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acho que vcs dois tem toda razão, porque muita gente não tem coragem de sair da casa da mãe, quanto mais mudar de pais, kkkk, adoro vcs dois, e tenho certeza que tudo vai dar certo sim, e se não der não importa, capacidade de realização vcs possuem. todo mundo deve passar por uma experiencia desta na vida, é apenas viver. alguns vivem, outros existem. fica com um grande abraço e carinho. admiro tudo o que fizeram por aqui.
americo sperandio disse 20 minutos depois
Patricia, estava buscando exemplos pra mostrar para meus alunos de fotografia, quando achei este Post! Fiquei de coração apertado, mas vc que largou uma carreira anterior, como eu, pra ser fotógrafa, entende bem o quê é dar uma virada. Uma perda para o Brasil, uma felicidade para os argentinos! Puxa vida! Eu, há 7 meses atrás apostei voltar para o interior do Estado. Deixei Curitiba e voltei pra minha cidade natal. Morta de medo, mas cheia de coragem e… TCHANAM! Foi a melhor coisa que fiz. O Estúdio aqui opera de maneiras diversas, mas está rendendo como nunca rendeu em CTBA. Sucesso absoluto. Vocês também serão em BA, tenho mais que certeza! Seu trabalho é fantástico, sua sensibilidade é rara. Muito sucesso a vc e ao maridão na nova empreitada. Também muita LUZ para clarear bem as idéias. Ficarei acompanhando! Tudo de bom, sempre!
Fabiana Guedes disse aproximadamente 7 horas depois
Patty, muito bem escrito, adorei qdo vcs escreveram: “Então, acho que é isso. Se conseguimos contruir uma vez, podemos construir de novo e melhor se for necessário.” O pior seria nao tomar a decisao e viver pensando no que poderia ter sido. Se o destino de vcs fosse para “perder tudo”, isso poderia acontecer mesmo sem sair do Brasil, sem nunca ter tomado a decisao. O aprendizado de vcs nessa nova fase da vida jah comecou soh pelo fato de vcs terem conseguido perceber que seguranca nao existe. Boa sorte na sua jornada!
Beijocas, Karina
Karina disse aproximadamente 12 horas depois
Grande amiga Fig, uma das minhas preocupações, agora que sou uma mom-to-be, é saber qual a melhor maneira de ensinar aos meus filhos (não são gemeos não, mas não vou parar no(a) primeiro (a) :)), a terem garra e lutarem pelo que querem e sonham! Em minhas reflexões, lembro do que foi importante pra mim, pra tomar certas decisões, arriscar aqui e ali e também ter crescido acreditando que tudo é possivel: o exemplo que meus pais foram/são pra mim. Fizeram muito com muito pouco e continuam curtindo a vida, vivendo com alegria e ajudando muitos outros que aparecem no caminho deles. No entanto, ao ler este excelente do post do grande amigo Vivi, percebo o quão privilegiada sou, primeiro por ter acesso a isto, segundo por conhecer de perto esta história e por ter amigos tão inspiradores assim. Peço a Deus que me permita ser um exemplo para meus pimpolhos, mas tb que um dia possa sentar pra contar a historia do cupido e seu ursinho. Aqueles que investiram no sonho de viverem daquilo que amam, o fazendo com maestria, humildade e solidariedade, sempre compartilhando com todos a sua volta seus caminhos, seus feitos e seu sucesso! Palmas pra vocês! Estarei aqui no ansioso aguardo do próximo post.
Beijos com carinho! Leia
Leia disse aproximadamente 12 horas depois
Pat, tudo bem?? Aqui é a Mari, do Hotel Querido, lembra? Menina, que bom saber que a mudança vai mesmo acontecer. Desejo tudo de bom para vcs nessa empreitada e podem contar com a gente se pudermos ajudar em alguma coisa. Quando você chegar de vez avisa tá? Quero te apresentar a alguns amigos aqui! =)
Mariana Hotel Querido disse 1 dia depois